Oficina territorial Ramais do Tijuipinho
Oficina territorial Ramais do Tijuipinho
A escuta dos Ramais até o Tijuipinho aconteceu no dia 16 de Setembro de 2025, no Restaurante Galinha Caipira. A Escuta convocou a população de Barro Vermelho, Dendê da Serra, Galinha Caipira, Pescoço, Km 37 e 37,5.
A escuta reuniu comunidades rurais nativas que mantêm forte vínculo com o território e uma identidade associada à vida simples, à agricultura familiar e à autonomia produtiva, e também famílias chegantes que buscam o modo de vida rural. O encontro teve como objetivo compreender as percepções locais sobre o território, seus valores, problemas e propostas de melhoria, subsidiando a Revisão do Plano Diretor de Serra Grande a partir da escuta direta dos moradores.
As comunidades presentes se reconhecem como rurais e afirmam não desejar a expansão urbana. Essa posição está relacionada ao temor de perda do modo de vida tradicional, da paisagem e da sustentabilidade dos recursos hídricos locais. A identidade territorial é marcada pela autossuficiência, pelo trabalho na roça, pela produção agrícola diversificada (cacau, coco, piaçava, banana da terra, aipim, hortas e criação de galinhas e peixes) e pelo sentimento de pertencimento a um ambiente tranquilo e autônomo.
Entre os aspectos positivos, destaca-se o equilíbrio entre natureza e produção rural, a preservação de áreas de mata e rios após o abandono de pastos, a independência em relação aos serviços prestados pela prefeitura e o fortalecimento da economia local por meio da participação em feiras e da agricultura familiar.
Os principais problemas e desafios estão ligados à escassez e contaminação da água, à degradação ambiental e à pressão urbanística. A água é vista como eixo central da vida e, ao mesmo tempo, um ponto crítico: há registro de nascentes degradadas, poluição de mananciais por esgoto doméstico e matança de animais, além da insuficiência de abastecimento durante períodos de seca. A degradação das bacias hidrográficas, a extração de terra e o corte e aterro que alteram a paisagem também foram citados como ameaças.
Soma-se a isso a ausência de saneamento básico e coleta de lixo, a precariedade da energia e da internet, a insegurança viária na rodovia (sem acostamento, sinalização ou ciclovias) e a falta de áreas de lazer seguras para as crianças.
As propostas da comunidade apontam caminhos diretos para os instrumentos urbanísticos do Plano Diretor. A população defende:
- Proteção legal das áreas rurais por meio de mecanismos como Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPN) ou zonas específicas de uso rural que impeçam a urbanização indevida.
- Integração entre o Plano Diretor e o Plano de Manejo das unidades de conservação, garantindo coerência nas decisões sobre uso e ocupação do solo.
- Instrumentos de gestão ambiental e hídrica, com políticas voltadas à preservação das bacias hidrográficas, controle da poluição e manejo sustentável da terra.
- Diretrizes de infraestrutura rural, com prioridade para abastecimento de água, saneamento básico, energia regularizada e conectividade digital.
- Instrumentos de mobilidade e segurança viária, com previsão de ciclovias, sinalização e ampliação de pontos de transporte coletivo.
- Criação de equipamentos públicos de lazer e convivência nas comunidades rurais, garantindo acesso a espaços seguros para crianças e famílias.
Assim, a escuta reforça a necessidade de o Plano Diretor de Serra Grande reconhecer e proteger o caráter rural dessas comunidades, equilibrando o desenvolvimento urbano com a conservação ambiental, a gestão responsável da água e o fortalecimento das economias locais de base agrícola.
SISTEMATIZAÇÃO DOS DADOS RELATADOS EM MAPA









