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Oficina territorial Gavião

Este relatório foi escrito pela Comissão Popular do Plano Diretor de Serra Grande entre agosto e setembro de 2025.
A escuta territorial do Gavião aconteceu no dia 07 de Setembro de 2025, na Lanchonete da Dona Val e contou com a participação de 50 pessoas.
As cartografias dividem o distrito em 1 arquivo complementar – Norte – no intuito de manter a escala 1:5000.
Cartografia oficina Gavião – NORTE
Planilha de sistematização Gavião
Acesse a documentação completa da oficina

Oficina territorial Gavião

A escuta territorial do Gavião aconteceu no dia 07 de Setembro de 2025, na Lanchonete da Dona Val e contou com a participação de 50 pessoas.

A comunidade do Gavião tem sua formação marcada pelo esforço coletivo, pelo modo de  vida rural e pelas atividades pesqueiras. A abertura da estrada que segue para a barra do rio Tijuípe ocorreu há mais de 100 anos, realizada de forma manual, com machados e picaretas, pelos moradores antigos. A estrada da Caranha foi construída para uso público e teve essa finalidade até alguns anos atrás, quando foi bloqueada (entre 2004 e 2006 aproximadamente). Essa estrada foi a primeira construída na região e servia para os moradores acessarem a vila de Serra Grande pela praia , inclusive servindo para escoamento dos produtos da região e com auxílio de animais de carga.

A ocupação inicial se deu com famílias vindas de Ilhéus, Itacaré e do interior (região de Jacaré, próximo a Caetité, conforme relato). Entre as primeiras famílias destacam-se:  as familiares, Afonso Bispo Santos e Maria; Felipe Neres e Adélia; Anilza e Vitalino; Giru Demostre  e sua companheira; Manoel Antônio e Joséfa; Francisco do brejo e Alice; Francisco Roxo e sua companheira;   Jorge Borges; Antida de preto e José de tingo; Albertino e Vitoria Maria.

Esse histórico revela um povoado de base rural, consolidado por famílias tradicionais que estruturaram a vida comunitária a partir da agricultura, da pesca e de quintais produtivos.

Principais Questões Levantadas

A comunidade necessita recuperar a liberdade de transitar pela estrada da Caranha, de forma sustentável e respeitando as boas práticas, para recuperar o modo de vida tradicional que nos foi tirado.

Identidade e Ruralidade

A comunidade manifesta claramente o interesse em manter sua identidade rural, com plantios, criação de animais domésticos e quintais produtivos.

As casas próximas umas das outras correspondem, em geral, a núcleos familiares, não configurando especulação imobiliária ou parcelamento comercial do solo.

A venda de áreas para pessoas de fora ocorre de forma pontual, quase sempre vinculada à melhoria das condições de vida das famílias locais, e não como negócio imobiliário. 

Existe preocupação com o avanço da urbanização e com a possibilidade de descaracterização do território.

Infraestrutura e Serviços Públicos

  • Baixa presença do poder público municipal.
  • Ausência de manutenção contínua das estradas.
  • Necessidade de infraestrutura rural: escola Rural 
  • Carência de agentes comunitários de saúde.
  • Necessidade de campanhas de vacinação infantil e de vacinação/castração de animais domésticos.
  • Demanda pela implantação de uma ciclovia na BA-001 ligando Sargi ao Gavião.
  • Necessidade de sinalização, lombadas e radares na BA-001 e na estrada de acesso à comunidade.

Organização Comunitária e Espaços Coletivos

O Povoado Rural do Gavião tem necessidade de apoio externo para implementação de um espaço onde serão aplicadas atividades culturais, educação ambiental, práticas tradicionais, alfabetização de adultos entre outras. Essas atividades já ocorrem na nossa comunidade tradicional, mas de forma precária.

Realização de alfabetização de adultos e cursos de artesanato.

A comunidade está implantando uma Feirinha comunitária cultural como instrumento de fortalecimento da identidade e da economia local, através de mutirões. 

Meio Ambiente e Território

Preocupação com os impactos da urbanização sobre a fauna local, especialmente a ave mutum que está ameaçada de extinção e tem essa ave aqui nossas matas, e à área de proteção especial do Caititu, reconhecida como uma das mais biodiversas do mundo.

Reconhecimento da comunidade como tradicional, com práticas de artesanato (dendê, bambu, pesca artesanal) e forte relação com o território.

Reforço da necessidade de caracterizar o Gavião como povoado rural com características periurbanas, mas que mantém sua identidade vinculada ao campo.

Necessidade de um diálogo mais frequente do poder público com os responsáveis da comunidade para para o bom viver no território como todo. 

Necessidade de fiscalização dos órgãos públicos competentes para coibir os loteamentos de forma ilegal, abertura de novas estradas, movimentação de terras, caça ilegal, desmatamento e outros. A ausência dessa fiscalização promoveu o adensamento que está descaracterizando nossa comunidade como de práticas rurais.

SISTEMATIZAÇÃO DOS DADOS RELATADOS EM MAPA