Oficina territorial Almir Carapiá
A comunidade reconhece o nome “Almir Carapiá” como o nome do bairro, embora, nos registros oficiais municipais, a área seja denominada “Osmar Simões”.
Oficina territorial Almir Carapiá
A escuta comunitária do bairro Almir Carapiá aconteceu no dia 19 de Setembro de 2025, na Cabana do Veloso, sendo marcada por relatos da memória local e pela identificação de desafios urbanos e ambientais que impactam diretamente a qualidade de vida da população. O bairro, reconhecido pela comunidade como um território tradicional de Serra Grande, expressa forte identidade cultural e senso de pertencimento, mas enfrenta problemas estruturais ligados ao saneamento, mobilidade, moradia e gestão de espaços públicos. Ao longo da escuta, foram construídas propostas de intervenção voltadas à melhoria das condições urbanas, fortalecimento da vida comunitária e proteção ambiental.
1. Identidade Territorial
O bairro Almir Carapiá se originou nos anos 1990 a partir de terrenos doados por Almir Carapiá, anterior à construção da estrada, e mantém até hoje as primeiras famílias residentes. A comunidade reconhece o nome “Almir Carapiá” como o nome do bairro, sendo “Osmar Simões” apenas a rua principal.
O território é marcado por uma vida tradicional, interiorana, de convivência próxima entre vizinhos, muitas crianças brincando nas ruas e forte senso de comunidade. A maioria dos moradores é nativa de Serra Grande.
Entre as referências locais estão o rio e a antiga cacimba — atualmente poluídos — e uma pracinha que se encontra fechada há longo tempo, prejudicando o lazer infantil. A travessia pela rodovia é uma dificuldade para acesso a outros espaços públicos, reforçando o isolamento da comunidade.
2. Aspectos Positivos
A comunidade destaca o sentimento de união e respeito mútuo, especialmente aos mais velhos. Há uma forte presença cultural e de práticas tradicionais, como capoeira, maculelê, samba de roda e puxada de rede, além de espaços e iniciativas de relevância como a Cabana Veloso, o Instituto Floresta Viva e a Escola da Madeira.
Trata-se de um bairro habitado por pescadores, com forte vínculo com a natureza e as tradições locais. O local é bem iluminado, possui poucas quedas de energia e os moradores demonstram zelo pelas áreas públicas. A implantação de redutores de velocidade na rodovia já trouxe resultados positivos, diminuindo acidentes.
3. Aspectos Negativos e Desafios
a) Saneamento Básico e Meio Ambiente
- Poluição da nascente e contaminação da antiga cacimba pelo esgoto lançado pela Embasa.
- Rede de esgoto sobrecarregada, com extravasamento e contaminação do solo e dos recursos hídricos.
- Falta de drenagem pluvial adequada, ocasionando escoamento precário.
- Lixo doméstico e entulho descartados irregularmente por moradores rurais e de obras próximas, atraindo urubus e riscos à saúde.
- Retirada de terra e areia, além de pontos de caça e pesca sem manejo sustentável.
- Atenção ao impacto da captação de água na Fazenda Serra Grande, que reduz a vazão do afluente do Rio Tijuipinho.
b) Habitação e Regularização Fundiária
- Maioria dos moradores sem titularidade dos terrenos, pois as doações não foram formalizadas.
- Débitos de IPTU atribuídos a famílias sem documentação da posse.
- Lotes pequenos (6m x 12m) que geram construções adensadas, sem ventilação e sem áreas livres, resultando em condições de insalubridade.
- Dificuldade de acesso à moradia própria, com famílias extensas compartilhando casas.
c) Mobilidade e Infraestrutura Viária
- Trânsito intenso e perigoso na Avenida Osmar Simões, com necessidade de sinalização, redutores adicionais e passarela.
- Falta de abrigo escolar seguro, expondo crianças ao sol, chuva e tráfego.
- Falta de áreas adequadas de parada e estacionamento na rodovia, gerando congestionamento nos horários de pico.
- Rede elétrica irregular, com postes no meio da rua e fiação sobre casas.
d) Equipamentos e Espaços Públicos
- Ausência de uma praça funcional para lazer e convivência; a antiga está fechada há algum tempo.
- Carência de centro comunitário para reuniões e atividades sociais.
- Posto policial desativado, gerando sensação de insegurança.
4. Propostas e Diretrizes da Comunidade
A comunidade apresentou propostas concretas que se articulam com os instrumentos do Plano Diretor, visando garantir segurança, bem-estar e preservação ambiental:
Infraestrutura e Espaço Púlico
- Criação de uma praça comunitária multifuncional, com áreas infantis, contemplativas e para juventudes, linear ao barranco e integrando o verde existente.
- Instalação de uma passarela ou passagem segura sobre a rodovia, ligada à praça.
- Implantação de abrigo escolar e requalificação dos pontos de parada.
- Nomeação da Nascente Joanice
Cultura e Equipamenos Comunitários
- Criação de um centro comunitário e restaurante comunitário com espaço próprio para convivência.
Saneamento e Meio Ambiente
- Requalificação da rede de esgoto e drenagem pluvial, com ampliação e nova estação de tratamento.
- Recuperação da nascente e monitoramento da captação de água na Fazenda Serra Grande.
- Eliminação dos pontos de descarte irregular de lixo e entulho, com fiscalização e gestão comunitária de resíduos.
Habitação e Regularização
- Programa de regularização fundiária para formalização da posse e segurança habitacional.
- Incentivo a projetos de habitação de interesse social voltados aos moradores nativos.
Mobilidade e Segurança
- Implantação de novos redutores de velocidade e sinalização na Avenida Osmar Simões.
- Reativação do posto policial para ampliar a segurança local.
- Revisão da rede elétrica, retirando postes mal posicionados e ajustando fiações.
SISTEMATIZAÇÃO DOS DADOS RELATADOS EM MAPA



