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Oficina temática de Meio Ambiente

Este relatório foi escrito pela Comissão Popular do Plano Diretor de Serra Grande entre agosto e setembro de 2025.
A escuta temática de Meio Ambiente evidenciou a riqueza natural, cultural e social do território de Serra Grande e entorno, ao mesmo tempo em que revelou fragilidades e desafios de gestão. A escuta aconteceu no dia 02 de Setembro de 2025, na Casa Azul e contou com a participação de 50 pessoas.
As cartografias dividem o distrito em 3 arquivos complementares – Sul, Centro e Norte – no intuito de manter a escala 1:5000.
Cartografia oficina Meio Ambiente – SUL
Cartografia oficina Meio Ambiente – CENTRO
Cartografia oficina Meio Ambiente – NORTE
Planilha de sistematização
Acesse a documentação completa da oficina

Oficina temática de Meio Ambiente

A escuta temática de Meio Ambiente evidenciou a riqueza natural, cultural e social do território de Serra Grande e entorno, ao mesmo tempo em que revelou fragilidades e desafios de gestão. A escuta aconteceu no dia 02 de Setembro de 2025, na Casa Azul e contou com a participação de 50 pessoas.

Os valores ambientais destacados pela comunidade abrangem a biodiversidade presente em ecossistemas como manguezais, restingas, costões, rios, nascentes, cachoeiras, represas e a floresta atlântica, que abrigam espécies emblemáticas como baleias, tartarugas, preguiças e ampla variedade de fauna e flora. A paisagem foi ressaltada como patrimônio coletivo, composta por praias, morros, mirantes, caminhos tradicionais e pela singularidade da observação do céu estrelado, favorecida pela baixa poluição luminosa.

O tratamento do meio ambiente ainda apresenta contradições: de um lado, a presença de práticas sustentáveis, como agroecologia, permacultura, bancos de sementes, bioconstrução, mutirões de limpeza e ações comunitárias de coleta seletiva; de outro, impactos decorrentes da ocupação desordenada, especulação imobiliária, retirada de terra, ausência de saneamento básico e descarte irregular de resíduos e esgoto. Essa dualidade evidencia a necessidade urgente de fortalecer a gestão pública e comunitária.

Nesse sentido, a comunidade apontou como o meio ambiente precisa ser cuidado, indicando prioridades como: preservação das bacias hidrográficas (em especial o Riacho Pancadinha), elaboração e implementação de um plano de resíduos sólidos, maior fiscalização e transparência no licenciamento ambiental, ampliação da arborização urbana com espécies nativas e frutíferas, além da valorização das boas práticas já existentes em educação ambiental, turismo ecológico e economia circular.

Entre os lugares de maior valor ambiental e paisagístico, destacam-se o Pântano e a Barra do Sargi, os mirantes do Pompilho, as trilhas de acesso às praias, o Poço da Caranha, o Rio Tijuipinho, o Riacho Pancadinha e as áreas de cabruca e Mata Atlântica, todos associados tanto ao lazer e contemplação quanto ao uso tradicional pelas comunidades locais. São também os espaços que a população mais aprecia e frequenta, reforçando a ligação afetiva e cultural com o território.

No campo econômico, a comunidade defendeu a valorização de atividades alinhadas à conservação, como o turismo ambiental e de base comunitária, a observação de fauna, o astroturismo, a formação de guias nativos, a educação ambiental e os sistemas agroecológicos. Por outro lado, identificou como negativas práticas como a implantação de parques aquáticos, a retirada de terra na faixa de domínio da BA-001 e estradas vicinais, e os loteamentos e condomínios rurais irregulares que fragilizam o equilíbrio ambiental e social.

Em síntese, a escuta reforçou que Serra Grande possui um conjunto de valores ambientais e culturais singulares, mas enfrenta pressões que ameaçam sua integridade. A preservação desse território exige planejamento participativo, fortalecimento da gestão ambiental, valorização dos modos de vida tradicionais e incentivo às boas práticas locais, de modo a garantir equilíbrio entre conservação e desenvolvimento.

Quais os valores ambientais de Serra Grande?

Serra Grande reúne valores ambientais excepcionais, representados por sua biodiversidade (fauna, flora, vida silvestre, cogumelos, preguiças, baleias, tartarugas e áreas de desova), seus ecossistemas costeiros e florestais (manguezais, restinga, costões, Mata Atlântica, cabruca, rios, nascentes e cachoeiras) e sua paisagem singular (praias, morros, mirantes, observação do céu estrelado com baixa poluição luminosa). Esses atributos se conectam a valores culturais e socioambientais, como a pesca artesanal, a cultura da jangada, a ruralidade, a solidariedade comunitária, a agroecologia, a permacultura e os saberes tradicionais do povo nativo.

Principais características levantadas

  • Natureza e biodiversidade: fauna, flora, vida silvestre, cogumelos, baleias, tartarugas (com destaque para áreas de desova), preguiça, manguezais, restinga, costões, Mata Atlântica, cabruca, cachoeiras, rios, nascentes e represa.
  • Paisagem e atrativos naturais: praia, mirantes, morros, rampa de parapente, observação do céu e estrelas (baixa poluição luminosa).
  • Práticas socioambientais: agroecologia, permacultura, banco de sementes, bioconstrução, valores agroecológicos, coleta seletiva.
  • Cultura e modos de vida locais: pesca artesanal, cultura da jangada, caminhos tradicionais, comunidades tradicionais, povo nativo de Serra Grande, ruralidade e solidariedade entre moradores.
  • Mobilidade e integração territorial: mobilidade ponta a ponta, conectando áreas rurais, costeiras e comunidades locais.

Como é tratado o meio ambiente em Serra Grande?

O tratamento do meio ambiente em Serra Grande tem sido marcado por pressões urbanísticas, omissão no cumprimento da legislação ambiental e fragilidade na gestão pública. A combinação de ocupação desordenada, falta de infraestrutura básica e desrespeito aos limites ecológicos resulta em impactos severos sobre ecossistemas, biodiversidade e sobre o próprio patrimônio paisagístico-cultural. Há consenso da comunidade de que é necessário reverter esse quadro por meio de planejamento territorial participativo, fortalecimento da gestão ambiental e valorização dos modos de vida tradicionais, garantindo equilíbrio entre desenvolvimento e conservação.

Apesar dos problemas, existem ações e percepções positivas. Há forte apreço comunitário pelo bem viver em harmonia com a natureza, além de práticas de agroecologia, permacultura, bioconstrução, esforço popular de coleta seletiva, compostagem e mutirões voluntários (como os de limpeza da represa e do Movimento Grauçá). Iniciativas como o Riqueza do Lixo demonstram capacidade local de inovação socioambiental. Também há movimentos de economia criativa e circular e propostas de arborização urbana com espécies nativas e frutíferas.

A percepção da comunidade revela um cenário marcado por desrespeito e negligência socioambiental, em que prevalecem práticas que comprometem os ecossistemas, a paisagem e a qualidade de vida. 

Os principais aspectos apontados foram:

  • Ocupação e uso do solo
  • Ocupação desordenada ao longo da BA-001 (trecho Ilhéus–Itacaré) e em áreas sensíveis;
  • Fracionamento irregular de lotes e glebas;
  • Adensamento irregular das ocupações;
  • Supressão da Mata Atlântica e descaracterização da paisagem natural;
  • Especulação imobiliária em detrimento da conservação.
  • Gestão ambiental deficiente:
  • Inexistência de gerenciamento de resíduos sólidos;
  • Descarte irregular de esgoto em rios, represas e áreas costeiras (como Robalo e Pancadinha);
  • Falta de drenagem pluvial adequada;
  • Descarte de resíduos diretamente nos rios.
  • Impactos sobre a biodiversidade e paisagem:
  • Redução da arborização urbana;
  • Atropelamento de fauna silvestre em estradas;
  • Descontinuidade do projeto da Estrada Parque, que deveria harmonizar mobilidade e conservação.
  • Dimensão social e cultural:
  • Projeção populacional sem considerar os limites dos recursos naturais;
  • Chegada de novas ocupações urbanas que descaracterizam modos de vida tradicionais e geram perda cultural.

Como o meio ambiente precisa ser cuidado?

O cuidado ambiental demanda:

  • Proteção das bacias hidrográficas (com destaque para o Riacho Pancadinha);
  • Gestão efetiva de resíduos sólidos (plano municipal, compostagem, coleta seletiva estruturada);
  • Transparência e fiscalização ambiental (licenciamento, audiências públicas, responsabilização por danos);
  • Educação ambiental permanente, integrando escolas, moradores e visitantes;
  • Arborização urbana planejada, incluindo espécies frutíferas;
  • Fortalecimento da coleta seletiva comunitária e cooperativa, com geração de empregos;
  • Controle populacional de animais domésticos, evitando zoonoses.
  • Boas práticas já existentes, como mutirões de limpeza, plantio comunitário, valorização da fauna e flora e projetos de turismo ecológico, precisam ser ampliadas e institucionalizadas.
  • Quais os lugares de grande valor ambiental paisagístico¿
  • Ecossistemas aquáticos: rios, nascentes, represas, cachoeiras, manguezais, Riacho Pancadinha.
  • Ecossistemas costeiros: praias, costões, restingas, Barra do Sargi, Pântano do Sargi.
  • Paisagens de contemplação: mirantes (Pompilho, Mirante II), morros, trilhas tradicionais, rampa de parapente.
  • Floresta Atlântica e cabruca, com alto valor ecológico e cultural.
  • Esses lugares são vistos como patrimônios coletivos e áreas prioritárias de preservação.

Quais os lugares que andamos e apreciamos?

A comunidade destacou o uso e apreciação de caminhos tradicionais, trilhas de acesso às praias, mirantes, cachoeiras, rios e represas, além das áreas costeiras para pesca e lazer. Também são valorizadas a Praia do Pompilho, a Vila Badu, o Poço da Caranha, o Poço do Robalo, o Rio Tijuipinho e os espaços de uso comunitário, como praças e áreas de encontro.

Quais atividades econômicas precisam ser valorizadas?

  • Turismo ambiental/ecoturismo, baseado na observação da fauna (baleias, aves, tartarugas) e na contemplação da natureza;
  • Astroturismo, aproveitando a baixa poluição luminosa;
  • Turismo de base comunitária, integrando comunidades tradicionais e saberes locais;
  • Formação de guias nativos, fortalecendo a economia local;
  • Educação ambiental e atividades culturais;
  • Agroecologia, permacultura, cabruca, como práticas sustentáveis geradoras de renda e conservação.
  • Bioconstrução, estímulos à educação profissional sobre construções sustentáveis respeitando a flora e a fauna nativa/endêmica da mata atlântica.

Que atividades econômicas são negativas? 

  • Parques aquáticos, que desvirtuam o turismo de base natural e cultural;
  • Retirada de terra na faixa de domínio da BA-001 e estradas vicinais, gerando impactos erosivos e ambientais;
  • Condomínios em zonas rurais sem ordenamento, provocando especulação e perda de ruralidade;
  • Loteamentos irregulares e ocupações desordenadas, que ameaçam ecossistemas e paisagens.
  • Propostas sobre o mapa:
  • Propostas de Proteção Ambiental e Uso do Território – Serra Grande / Sargi
  • Criação de Unidade de Conservação Ambiental – Parque Municipal.
  • Proteção do Pântano do Sargi.
  • Destinação da área em frente ao Robério como área pública.
  • Proteção da Barra do Sargi.

SISTEMATIZAÇÃO DOS DADOS RELATADOS EM MAPA

Planilha que organiza os pontos grafados em mapa (descrição).
Ao lado, a estrutura temática, com subtemas e categorias que estruturam o banco de dados