Oficina temática de Meio Ambiente
Oficina temática de Meio Ambiente
A escuta temática de Meio Ambiente evidenciou a riqueza natural, cultural e social do território de Serra Grande e entorno, ao mesmo tempo em que revelou fragilidades e desafios de gestão. A escuta aconteceu no dia 02 de Setembro de 2025, na Casa Azul e contou com a participação de 50 pessoas.
Os valores ambientais destacados pela comunidade abrangem a biodiversidade presente em ecossistemas como manguezais, restingas, costões, rios, nascentes, cachoeiras, represas e a floresta atlântica, que abrigam espécies emblemáticas como baleias, tartarugas, preguiças e ampla variedade de fauna e flora. A paisagem foi ressaltada como patrimônio coletivo, composta por praias, morros, mirantes, caminhos tradicionais e pela singularidade da observação do céu estrelado, favorecida pela baixa poluição luminosa.
O tratamento do meio ambiente ainda apresenta contradições: de um lado, a presença de práticas sustentáveis, como agroecologia, permacultura, bancos de sementes, bioconstrução, mutirões de limpeza e ações comunitárias de coleta seletiva; de outro, impactos decorrentes da ocupação desordenada, especulação imobiliária, retirada de terra, ausência de saneamento básico e descarte irregular de resíduos e esgoto. Essa dualidade evidencia a necessidade urgente de fortalecer a gestão pública e comunitária.
Nesse sentido, a comunidade apontou como o meio ambiente precisa ser cuidado, indicando prioridades como: preservação das bacias hidrográficas (em especial o Riacho Pancadinha), elaboração e implementação de um plano de resíduos sólidos, maior fiscalização e transparência no licenciamento ambiental, ampliação da arborização urbana com espécies nativas e frutíferas, além da valorização das boas práticas já existentes em educação ambiental, turismo ecológico e economia circular.
Entre os lugares de maior valor ambiental e paisagístico, destacam-se o Pântano e a Barra do Sargi, os mirantes do Pompilho, as trilhas de acesso às praias, o Poço da Caranha, o Rio Tijuipinho, o Riacho Pancadinha e as áreas de cabruca e Mata Atlântica, todos associados tanto ao lazer e contemplação quanto ao uso tradicional pelas comunidades locais. São também os espaços que a população mais aprecia e frequenta, reforçando a ligação afetiva e cultural com o território.
No campo econômico, a comunidade defendeu a valorização de atividades alinhadas à conservação, como o turismo ambiental e de base comunitária, a observação de fauna, o astroturismo, a formação de guias nativos, a educação ambiental e os sistemas agroecológicos. Por outro lado, identificou como negativas práticas como a implantação de parques aquáticos, a retirada de terra na faixa de domínio da BA-001 e estradas vicinais, e os loteamentos e condomínios rurais irregulares que fragilizam o equilíbrio ambiental e social.
Em síntese, a escuta reforçou que Serra Grande possui um conjunto de valores ambientais e culturais singulares, mas enfrenta pressões que ameaçam sua integridade. A preservação desse território exige planejamento participativo, fortalecimento da gestão ambiental, valorização dos modos de vida tradicionais e incentivo às boas práticas locais, de modo a garantir equilíbrio entre conservação e desenvolvimento.
Quais os valores ambientais de Serra Grande?
Serra Grande reúne valores ambientais excepcionais, representados por sua biodiversidade (fauna, flora, vida silvestre, cogumelos, preguiças, baleias, tartarugas e áreas de desova), seus ecossistemas costeiros e florestais (manguezais, restinga, costões, Mata Atlântica, cabruca, rios, nascentes e cachoeiras) e sua paisagem singular (praias, morros, mirantes, observação do céu estrelado com baixa poluição luminosa). Esses atributos se conectam a valores culturais e socioambientais, como a pesca artesanal, a cultura da jangada, a ruralidade, a solidariedade comunitária, a agroecologia, a permacultura e os saberes tradicionais do povo nativo.
Principais características levantadas
- Natureza e biodiversidade: fauna, flora, vida silvestre, cogumelos, baleias, tartarugas (com destaque para áreas de desova), preguiça, manguezais, restinga, costões, Mata Atlântica, cabruca, cachoeiras, rios, nascentes e represa.
- Paisagem e atrativos naturais: praia, mirantes, morros, rampa de parapente, observação do céu e estrelas (baixa poluição luminosa).
- Práticas socioambientais: agroecologia, permacultura, banco de sementes, bioconstrução, valores agroecológicos, coleta seletiva.
- Cultura e modos de vida locais: pesca artesanal, cultura da jangada, caminhos tradicionais, comunidades tradicionais, povo nativo de Serra Grande, ruralidade e solidariedade entre moradores.
- Mobilidade e integração territorial: mobilidade ponta a ponta, conectando áreas rurais, costeiras e comunidades locais.
Como é tratado o meio ambiente em Serra Grande?
O tratamento do meio ambiente em Serra Grande tem sido marcado por pressões urbanísticas, omissão no cumprimento da legislação ambiental e fragilidade na gestão pública. A combinação de ocupação desordenada, falta de infraestrutura básica e desrespeito aos limites ecológicos resulta em impactos severos sobre ecossistemas, biodiversidade e sobre o próprio patrimônio paisagístico-cultural. Há consenso da comunidade de que é necessário reverter esse quadro por meio de planejamento territorial participativo, fortalecimento da gestão ambiental e valorização dos modos de vida tradicionais, garantindo equilíbrio entre desenvolvimento e conservação.
Apesar dos problemas, existem ações e percepções positivas. Há forte apreço comunitário pelo bem viver em harmonia com a natureza, além de práticas de agroecologia, permacultura, bioconstrução, esforço popular de coleta seletiva, compostagem e mutirões voluntários (como os de limpeza da represa e do Movimento Grauçá). Iniciativas como o Riqueza do Lixo demonstram capacidade local de inovação socioambiental. Também há movimentos de economia criativa e circular e propostas de arborização urbana com espécies nativas e frutíferas.
A percepção da comunidade revela um cenário marcado por desrespeito e negligência socioambiental, em que prevalecem práticas que comprometem os ecossistemas, a paisagem e a qualidade de vida.
Os principais aspectos apontados foram:
- Ocupação e uso do solo
- Ocupação desordenada ao longo da BA-001 (trecho Ilhéus–Itacaré) e em áreas sensíveis;
- Fracionamento irregular de lotes e glebas;
- Adensamento irregular das ocupações;
- Supressão da Mata Atlântica e descaracterização da paisagem natural;
- Especulação imobiliária em detrimento da conservação.
- Gestão ambiental deficiente:
- Inexistência de gerenciamento de resíduos sólidos;
- Descarte irregular de esgoto em rios, represas e áreas costeiras (como Robalo e Pancadinha);
- Falta de drenagem pluvial adequada;
- Descarte de resíduos diretamente nos rios.
- Impactos sobre a biodiversidade e paisagem:
- Redução da arborização urbana;
- Atropelamento de fauna silvestre em estradas;
- Descontinuidade do projeto da Estrada Parque, que deveria harmonizar mobilidade e conservação.
- Dimensão social e cultural:
- Projeção populacional sem considerar os limites dos recursos naturais;
- Chegada de novas ocupações urbanas que descaracterizam modos de vida tradicionais e geram perda cultural.
Como o meio ambiente precisa ser cuidado?
O cuidado ambiental demanda:
- Proteção das bacias hidrográficas (com destaque para o Riacho Pancadinha);
- Gestão efetiva de resíduos sólidos (plano municipal, compostagem, coleta seletiva estruturada);
- Transparência e fiscalização ambiental (licenciamento, audiências públicas, responsabilização por danos);
- Educação ambiental permanente, integrando escolas, moradores e visitantes;
- Arborização urbana planejada, incluindo espécies frutíferas;
- Fortalecimento da coleta seletiva comunitária e cooperativa, com geração de empregos;
- Controle populacional de animais domésticos, evitando zoonoses.
- Boas práticas já existentes, como mutirões de limpeza, plantio comunitário, valorização da fauna e flora e projetos de turismo ecológico, precisam ser ampliadas e institucionalizadas.
- Quais os lugares de grande valor ambiental paisagístico¿
- Ecossistemas aquáticos: rios, nascentes, represas, cachoeiras, manguezais, Riacho Pancadinha.
- Ecossistemas costeiros: praias, costões, restingas, Barra do Sargi, Pântano do Sargi.
- Paisagens de contemplação: mirantes (Pompilho, Mirante II), morros, trilhas tradicionais, rampa de parapente.
- Floresta Atlântica e cabruca, com alto valor ecológico e cultural.
- Esses lugares são vistos como patrimônios coletivos e áreas prioritárias de preservação.
Quais os lugares que andamos e apreciamos?
A comunidade destacou o uso e apreciação de caminhos tradicionais, trilhas de acesso às praias, mirantes, cachoeiras, rios e represas, além das áreas costeiras para pesca e lazer. Também são valorizadas a Praia do Pompilho, a Vila Badu, o Poço da Caranha, o Poço do Robalo, o Rio Tijuipinho e os espaços de uso comunitário, como praças e áreas de encontro.
Quais atividades econômicas precisam ser valorizadas?
- Turismo ambiental/ecoturismo, baseado na observação da fauna (baleias, aves, tartarugas) e na contemplação da natureza;
- Astroturismo, aproveitando a baixa poluição luminosa;
- Turismo de base comunitária, integrando comunidades tradicionais e saberes locais;
- Formação de guias nativos, fortalecendo a economia local;
- Educação ambiental e atividades culturais;
- Agroecologia, permacultura, cabruca, como práticas sustentáveis geradoras de renda e conservação.
- Bioconstrução, estímulos à educação profissional sobre construções sustentáveis respeitando a flora e a fauna nativa/endêmica da mata atlântica.
Que atividades econômicas são negativas?
- Parques aquáticos, que desvirtuam o turismo de base natural e cultural;
- Retirada de terra na faixa de domínio da BA-001 e estradas vicinais, gerando impactos erosivos e ambientais;
- Condomínios em zonas rurais sem ordenamento, provocando especulação e perda de ruralidade;
- Loteamentos irregulares e ocupações desordenadas, que ameaçam ecossistemas e paisagens.
- Propostas sobre o mapa:
- Propostas de Proteção Ambiental e Uso do Território – Serra Grande / Sargi
- Criação de Unidade de Conservação Ambiental – Parque Municipal.
- Proteção do Pântano do Sargi.
- Destinação da área em frente ao Robério como área pública.
- Proteção da Barra do Sargi.
SISTEMATIZAÇÃO DOS DADOS RELATADOS EM MAPA

Ao lado, a estrutura temática, com subtemas e categorias que estruturam o banco de dados








