Oficina temática da Cultura
Oficina temática da Cultura
A escuta comunitária sobre Cultura aconteceu no dia 30 de Setembro de 2025, na Casa Azul e reuniu diversos agentes culturais, artistas, educadores e representantes de associações e coletivos, com o objetivo de identificar saberes, fazeres e espaços culturais do território e discutir como o Plano Diretor pode fortalecer a política cultural e o direito à cidade.
A discussão abordou tanto o reconhecimento do patrimônio material, imaterial e natural de Serra Grande, quanto as carências de infraestrutura, espaços adequados e instrumentos de gestão pública para a cultura.
A comunidade destacou que a cultura é modo de vida, e não apenas eventos. Foram debatidas as relações entre os espaços públicos e privados que abrigam manifestações culturais, as limitações impostas pela especulação imobiliária e as possibilidades de zonas de interesse cultural e de criação de equipamentos públicos de cultura.
O encontro também destacou a necessidade de articulação entre cultura, meio ambiente e urbanismo, considerando a Mata Atlântica e o bioma do Conduru como elementos fundadores da identidade cultural local.
- Identidade Cultural de Serra Grande
A identidade cultural do território está ligada à diversidade de saberes e fazeres tradicionais, populares e contemporâneos, à força feminina e associativa e à relação íntima com a Mata Atlântica
As 58 práticas culturais listadas demonstram uma multiplicidade de linguagens artísticas, expressões populares, ofícios tradicionais e manifestações de pertencimento, representando tanto tradições locais quanto expressões urbanas contemporâneas.
Saberes, Fazeres e Expressões Culturais Mapeados
(agrupados por categoria temática)
a) Patrimônio Cultural e Saberes Tradicionais
- Pesca tradicional
- Agricultura tradicional
- Cultura construtiva local
- Ferreiro tradicional
- Marcenaria
- Caruru tradicional
- Pesca de Jangada
- Griôs, Mestras e Mestres da Cultura Popular
- Culturas indígenas
- Patrimônio histórico e natural
- Crochê, artesanato e reciclagem
b) Artes e Linguagens
- Teatro, circo, dança, performance
- Música, produção musical, canto, composição, produção de eventos
- Artes visuais, audiovisual, poesia, escrita, prosa, arte multilinguagem
- Arte e juventudes, cultura LGBTQIAPN+, coletivos culturais, blocos de carnaval, quadrilhas juninas
- Arte-educação, pesquisa em artes, pareceristas e articuladores culturais
c) Cultura Popular
- Maracatu, samba, cortejos, sarau, manifestações do boi, quadrilha junina, blocos carnavalescos
- Capoeira Angola e Regional
- Feiras culturais e de agricultura familiar
- Gastronomia tradicional
d) Cultura Urbana e Juventudes
- Surf, skate, paredão (sound system popular), atletismo
- Cultura de rua, espaços de convivência e expressão sonora
- Espaços e Equipamentos Culturais Existentes
Durante a escuta, foram identificados 81 espaços de relevância cultural, incluindo equipamentos públicos, espaços comunitários, casas culturais, escolas, associações, pontos comerciais com expressão artística e patrimônios naturais.
a) Espaços e Equipamentos Comunitários e Públicos
- Praça Pedro Gomes
- Barracão Comunitário do Bairro Novo
- Centro Integrado de Educação Integral
- Escola Dendê da Serra, Escola Eliés Haún, Escola Baobá, Escola da Madeira
- Biblioteca Comunitária do Bairro Novo, Biblioteca do Pomar
- Feira de Agricultura Familiar e Feira Cultural Comunitária Saberes & Sabores
- Mirantes (áreas de interesse paisagístico e cultural)
- Trilha Renascer do Pancadinha
- Campo de futebol e quadras
b) Casas e Espaços Culturais
- Circo da Lua
- Casa di Mãe, Casa Azul, Casa Serpente, Casa Xexéu, Casa CircoLar
- Maloca Dendê, Espaço Raízes, Espaço Dantas Neres, Cumbuca Cultural
- Casa do Artesanato (antiga, desativada)
- Baloarte, Flores Astrais, Sociedade dos Loucos, Mississipi
- Terreiros de Dona Juciara e Mãe Vitorinha (não funciona mais)
- Instituto Floresta Viva, Instituto Etno, Guilda Anansi
- PESC (Projeto de Educação Socioambiental e Cultural)
- Associação de Pequenos Agricultores e de Pescadores
c) Espaços Comerciais com Função Cultural
(Bares e restaurantes que abrigam artistas e eventos culturais)
- Cabana do Veloso, Cabana Tropical
- Bar de Preto, Bar do seu Eduardo, Restaurante da Nice, Maçã do Coco
- Galeria Pizza Bar, Barrocão, Rua da Mangueira, Jambo da Praça
Esses espaços, embora comerciais, exercem papel importante na economia da cultura e no fomento a artistas locais, mas a comunidade destacou que não devem ser confundidos com equipamentos culturais de responsabilidade pública. - Dominó do seu Rosi
d) Patrimônios Naturais e Paisagísticos
- Mirantes (áreas de proteção e interesse público, hoje privatizadas)
- Rio Pancadinha e suas margens
- Mata Atlântica e Serra do Conduru
- Barra do Sargi, Praia do Cemitério
- Poço do Robalo
4. Problemas, Conflitos e Demandas
- Falta de reconhecimento institucional da cultura como eixo do desenvolvimento territorial.
- Ausência de mapeamento atualizado de espaços culturais, pontos de cultura, patrimônios e elementos da paisagem cultural.
- Especulação imobiliária e privatização de áreas de interesse público (ex. mirantes).
- Conflitos sonoros e arbitrariedades legais: espaços culturais autônomos sofrem restrições enquanto bares e igrejas não seguem os mesmos critérios.
- Ausência de transparência orçamentária e de mecanismos participativos (falta de Conselho Municipal de Cultura).
- Perda da biblioteca pública e carência de espaços públicos adequados para práticas culturais.
- Falta de protocolos claros para licenciamento e funcionamento de espaços culturais.
- Fragilidade da classe cultural local, com baixa inclusão em eventos oficiais e dificuldades de remuneração.
- Diretrizes e Propostas para o Plano Diretor
a) Zonas e Áreas Específicas
- Criação de Zonas de Interesse Cultural (ZICs), assegurando o uso público e livre de áreas simbólicas como os mirantes e a Trilha do Pancadinha, com conforto acústico e controle urbanístico.
- Definição de áreas destinadas a práticas culturais noturnas (até meia-noite), especialmente para música e som ao vivo.
- Desapropriação de áreas estratégicas para uso público (mirantes, áreas costeiras e trilhas).
b) Equipamentos Culturais Prioritários
- Centro Cultural de Serra Grande
- Coreto com gestão comunitária
- Casa Municipal de Cultura
- Sala multiuso e anfiteatro público
- Museu de Serra Grande
- Conservatório de Música e Dança
- Escola de Ofícios Tradicionais
- Requalificação da jangada da Praça Pedro Gomes
- Espaços públicos de capoeira e arte-educação
c) Gestão e Políticas Culturais
- Implementação do Sistema Municipal de Cultura, com funcionamento efetivo do Conselho e Fundo de Cultura (Lei Municipal nº 670/2023).
- Mapeamento oficial e participativo dos agentes, coletivos e equipamentos culturais.
- Integração entre cultura e meio ambiente, com criação de parques culturais e reservas municipais.
Transparência orçamentária e participação social nas decisões de investimento em cultura. - Política de valorização de artistas locais em eventos promovidos pela prefeitura.
A escuta de cultura revelou um território com enorme diversidade cultural e potencial criativo, mas também com graves desigualdades de reconhecimento e infraestrutura.
A incorporação da dimensão cultural no ordenamento urbano é fundamental para garantir o direito à cidade, à expressão e à memória.
O Plano Diretor deve reconhecer Serra Grande como território de cultura viva, articulando preservação ambiental, valorização dos saberes locais e políticas públicas permanentes de fomento e proteção da cultura.
SISTEMATIZAÇÃO DOS DADOS RELATADOS EM MAPA











