Página inicial » Mapas comunitários » Oficinas temáticas  » Oficina temática da Cultura

Oficina temática da Cultura

Este relatório foi escrito pela Comissão Popular do Plano Diretor de Serra Grande entre agosto e setembro de 2025.
A escuta comunitária sobre Cultura aconteceu no dia 30 de Setembro de 2025, na Casa Azul e reuniu diversos agentes culturais, artistas, educadores e representantes de associações e coletivos, com o objetivo de identificar saberes, fazeres e espaços culturais do território e discutir como o Plano Diretor pode fortalecer a política cultural e o direito à cidade.
As cartografias dividem o distrito em 3 arquivos complementares – Sul, Centro e Norte – no intuito de manter a escala 1:5000.
Cartografia oficina Cultura – SUL
Cartografia oficina Cultura – CENTRO
Cartografia oficina Cultura- NORTE
Planilha de sistematização
Acesse a documentação completa da oficina

Oficina temática da Cultura

A escuta comunitária sobre Cultura aconteceu no dia 30 de Setembro de 2025, na Casa Azul e reuniu diversos agentes culturais, artistas, educadores e representantes de associações e coletivos, com o objetivo de identificar saberes, fazeres e espaços culturais do território e discutir como o Plano Diretor pode fortalecer a política cultural e o direito à cidade. 

A discussão abordou tanto o reconhecimento do patrimônio material, imaterial e natural de Serra Grande, quanto as carências de infraestrutura, espaços adequados e instrumentos de gestão pública para a cultura.

A comunidade destacou que a cultura é modo de vida, e não apenas eventos. Foram debatidas as relações entre os espaços públicos e privados que abrigam manifestações culturais, as limitações impostas pela especulação imobiliária e as possibilidades de zonas de interesse cultural e de criação de equipamentos públicos de cultura.

O encontro também destacou a necessidade de articulação entre cultura, meio ambiente e urbanismo, considerando a Mata Atlântica e o bioma do Conduru como elementos fundadores da identidade cultural local.

  1. Identidade Cultural de Serra Grande

A identidade cultural do território está ligada à diversidade de saberes e fazeres tradicionais, populares e contemporâneos, à força feminina e associativa e à relação íntima com a Mata Atlântica

As 58 práticas culturais listadas demonstram uma multiplicidade de linguagens artísticas, expressões populares, ofícios tradicionais e manifestações de pertencimento, representando tanto tradições locais quanto expressões urbanas contemporâneas.

Saberes, Fazeres e Expressões Culturais Mapeados
(agrupados por categoria temática)

a) Patrimônio Cultural e Saberes Tradicionais

  • Pesca tradicional
  • Agricultura tradicional
  • Cultura construtiva local
  • Ferreiro tradicional
  • Marcenaria
  • Caruru tradicional
  • Pesca de Jangada
  • Griôs, Mestras e Mestres da Cultura Popular
  • Culturas indígenas
  • Patrimônio histórico e natural
  • Crochê, artesanato e reciclagem

b) Artes e Linguagens

  • Teatro, circo, dança, performance
  • Música, produção musical, canto, composição, produção de eventos
  • Artes visuais, audiovisual, poesia, escrita, prosa, arte multilinguagem
  • Arte e juventudes, cultura LGBTQIAPN+, coletivos culturais, blocos de carnaval, quadrilhas juninas
  • Arte-educação, pesquisa em artes, pareceristas e articuladores culturais

c) Cultura Popular

  • Maracatu, samba, cortejos, sarau, manifestações do boi, quadrilha junina, blocos carnavalescos
  • Capoeira Angola e Regional
  • Feiras culturais e de agricultura familiar
  • Gastronomia tradicional

d) Cultura Urbana e Juventudes

  • Surf, skate, paredão (sound system popular), atletismo
  • Cultura de rua, espaços de convivência e expressão sonora
  1. Espaços e Equipamentos Culturais Existentes

Durante a escuta, foram identificados 81 espaços de relevância cultural, incluindo equipamentos públicos, espaços comunitários, casas culturais, escolas, associações, pontos comerciais com expressão artística e patrimônios naturais.

a) Espaços e Equipamentos Comunitários e Públicos

  • Praça Pedro Gomes
  • Barracão Comunitário do Bairro Novo
  • Centro Integrado de Educação Integral
  • Escola Dendê da Serra, Escola Eliés Haún, Escola Baobá, Escola da Madeira
  • Biblioteca Comunitária do Bairro Novo, Biblioteca do Pomar
  • Feira de Agricultura Familiar e Feira Cultural Comunitária Saberes & Sabores
  • Mirantes (áreas de interesse paisagístico e cultural)
  • Trilha Renascer do Pancadinha
  • Campo de futebol e quadras

b) Casas e Espaços Culturais

  • Circo da Lua
  • Casa di Mãe, Casa Azul, Casa Serpente, Casa Xexéu, Casa CircoLar
  • Maloca Dendê, Espaço Raízes, Espaço Dantas Neres, Cumbuca Cultural
  • Casa do Artesanato (antiga, desativada)
  • Baloarte, Flores Astrais, Sociedade dos Loucos, Mississipi
  • Terreiros de Dona Juciara e Mãe Vitorinha (não funciona mais)
  • Instituto Floresta Viva, Instituto Etno, Guilda Anansi
  • PESC (Projeto de Educação Socioambiental e Cultural)
  • Associação de Pequenos Agricultores e de Pescadores

c) Espaços Comerciais com Função Cultural

(Bares e restaurantes que abrigam artistas e eventos culturais)

  • Cabana do Veloso, Cabana Tropical
  • Bar de Preto, Bar do seu Eduardo, Restaurante da Nice, Maçã do Coco
  • Galeria Pizza Bar, Barrocão, Rua da Mangueira, Jambo da Praça
    Esses espaços, embora comerciais, exercem papel importante na economia da cultura e no fomento a artistas locais, mas a comunidade destacou que não devem ser confundidos com equipamentos culturais de responsabilidade pública.
  • Dominó do seu Rosi

d) Patrimônios Naturais e Paisagísticos

  • Mirantes (áreas de proteção e interesse público, hoje privatizadas)
  • Rio Pancadinha e suas margens
  • Mata Atlântica e Serra do Conduru
  • Barra do Sargi, Praia do Cemitério
  • Poço do Robalo

4. Problemas, Conflitos e Demandas

  • Falta de reconhecimento institucional da cultura como eixo do desenvolvimento territorial.
  • Ausência de mapeamento atualizado de espaços culturais, pontos de cultura, patrimônios e elementos da paisagem cultural.
  • Especulação imobiliária e privatização de áreas de interesse público (ex. mirantes).
  • Conflitos sonoros e arbitrariedades legais: espaços culturais autônomos sofrem restrições enquanto bares e igrejas não seguem os mesmos critérios.
  • Ausência de transparência orçamentária e de mecanismos participativos (falta de Conselho Municipal de Cultura).
  • Perda da biblioteca pública e carência de espaços públicos adequados para práticas culturais.
  • Falta de protocolos claros para licenciamento e funcionamento de espaços culturais.
  • Fragilidade da classe cultural local, com baixa inclusão em eventos oficiais e dificuldades de remuneração.
  1. Diretrizes e Propostas para o Plano Diretor

a) Zonas e Áreas Específicas

  • Criação de Zonas de Interesse Cultural (ZICs), assegurando o uso público e livre de áreas simbólicas como os mirantes e a Trilha do Pancadinha, com conforto acústico e controle urbanístico.
  • Definição de áreas destinadas a práticas culturais noturnas (até meia-noite), especialmente para música e som ao vivo.
  • Desapropriação de áreas estratégicas para uso público (mirantes, áreas costeiras e trilhas).

b) Equipamentos Culturais Prioritários

  • Centro Cultural de Serra Grande
  • Coreto com gestão comunitária
  • Casa Municipal de Cultura
  • Sala multiuso e anfiteatro público
  • Museu de Serra Grande
  • Conservatório de Música e Dança
  • Escola de Ofícios Tradicionais
  • Requalificação da jangada da Praça Pedro Gomes
  • Espaços públicos de capoeira e arte-educação

c) Gestão e Políticas Culturais

  • Implementação do Sistema Municipal de Cultura, com funcionamento efetivo do Conselho e Fundo de Cultura (Lei Municipal nº 670/2023).
  • Mapeamento oficial e participativo dos agentes, coletivos e equipamentos culturais.
  • Integração entre cultura e meio ambiente, com criação de parques culturais e reservas municipais.
    Transparência orçamentária e participação social nas decisões de investimento em cultura.
  • Política de valorização de artistas locais em eventos promovidos pela prefeitura.

A escuta de cultura revelou um território com enorme diversidade cultural e potencial criativo, mas também com graves desigualdades de reconhecimento e infraestrutura.
A incorporação da dimensão cultural no ordenamento urbano é fundamental para garantir o direito à cidade, à expressão e à memória.

O Plano Diretor deve reconhecer Serra Grande como território de cultura viva, articulando preservação ambiental, valorização dos saberes locais e políticas públicas permanentes de fomento e proteção da cultura.

SISTEMATIZAÇÃO DOS DADOS RELATADOS EM MAPA