Ecossistemas
A praia (PR) marca o primeiro contato com o oceano. É uma faixa de areias constantemente remodelada por ondas e marés, alternando trechos mais inclinados e energéticos com áreas mais amplas e tranquilas. Suas areias são recentes e ricas em vestígios biológicos, refletindo um ambiente dinâmico que se reorganiza após cada ressaca. Já nas áreas mais abrigadas da costa, surgem os manguezais (MG) ecossistemas fundamentais para a vida marinha. Instalam-se sobre solos lodosos e pobres em oxigênio, onde as marés trazem nutrientes e renovam as condições de vida diariamente. São ambientes jovens, formados nos últimos milhares de anos, que atuam como verdadeiros berçários naturais.
Entre as praias e o interior, mas ainda sobre a planície costeira ocorrem os mosaicos de restingas (RH), que representam diferentes fases da sucessão ecológica sobre cordões litorâneos arenosos formados pelo recuo e avanço do mar. Nas áreas mais próximas da praia, dominam as restingas herbáceas, com vegetação baixa que estabiliza as dunas móveis. Em cordões mais antigos e estáveis, surgem moitas e arbustos que formam a restinga arbustiva. Já nos terrenos mais consolidados, desenvolve-se a restinga arbórea um tipo de floresta mais densa, onde epífitas e lianas são comuns. Entretanto, todas as fisionomias de restingas apresentam no intercordões áreas rebaixadas que alagam com frequência.
Avançando para o interior, chegam as florestas ombrófilas densas (FCE e FCEE), que se instalam sobre os residuais tabuleiros da Formação Barreiras e nas encostas do planalto. São ecossistemas muito mais antigos, com solos argilo‑arenosos profundos ou rasos e pedregosos, dependendo da posição na paisagem. Nessas áreas, predominam árvores de grande porte, adaptadas a ventos fortes, salinidade e insolação quando próximas ao mar. Representam o extremo continental do gradiente, ocupando terras acima de +10 metros do nível do mar.
Entre a zona costeira e o planalto, os costões rochosos (CR) formam transições abruptas. São áreas onde o embasamento cristalino aflora, criando paredes e plataformas expostas à força das ondas. A vegetação é baixa, formada por arbustos resistentes e plantas que conseguem crescer em fendas estreitas, sob ventos intensos e salinidade elevada.
Essa combinação de praias, manguezais, restingas, florestas e costões expressa a história geológica e ecológica da costa após o Terciário. Ela resulta da oscilação do nível do mar, do transporte de sedimentos, da ação do vento e da capacidade das plantas de colonizar novos ambientes ao longo do tempo. Hoje, esses ecossistemas funcionam como peças complementares de um sistema altamente sensível: qualquer alteração no uso do solo — como supressão de restingas ou intervenções em estuários — repercute rapidamente em processos de erosão, assoreamento e perda de habitats.
Compreender essas unidades e sua posição na paisagem é essencial para orientar políticas de manejo, conservação e planejamento urbano em Serra Grande, garantindo que o desenvolvimento da região se dê em harmonia com a diversidade ecológica que caracteriza sua costa.



