Página inicial » Cartografias analíticas  » Ecossistemas

Ecossistemas

A paisagem costeira de Serra Grande é resultado de uma longa interação entre o mar, o vento, a geologia e os processos ecológicos que moldam essa faixa do litoral sul da Bahia. Cada ecossistema ocupa um lugar específico nesse mosaico, formando uma transição que vai das praias mais jovens até as florestas  sobre o substrato mais antigo do planalto pré‑litorâneo.
As cartografias dividem o distrito em 3 arquivos complementares – Sul, Centro e Norte – no intuito de manter a escala 1:5000.
Mapa Ecossistemas Serra Grande – SUL
Mapa Ecossistemas Serra Grande – CENTRO
Mapa Ecossistemas Serra Grande – NORTE

A praia (PR) marca o primeiro contato com o oceano. É uma faixa de areias constantemente remodelada por ondas e marés, alternando trechos mais inclinados e energéticos com áreas mais amplas e tranquilas. Suas areias são recentes e ricas em vestígios biológicos, refletindo um ambiente dinâmico que se reorganiza após cada ressaca. Já nas áreas mais abrigadas da costa, surgem os manguezais (MG) ecossistemas fundamentais para a vida marinha. Instalam-se sobre solos lodosos e pobres em oxigênio, onde as marés trazem nutrientes e renovam as condições de vida diariamente. São ambientes jovens, formados nos últimos milhares de anos, que atuam como verdadeiros berçários naturais.

Entre as praias e o interior, mas ainda sobre a planície costeira ocorrem os mosaicos de restingas (RH), que representam diferentes fases da sucessão ecológica sobre cordões litorâneos arenosos formados pelo recuo e avanço do mar. Nas áreas mais próximas da praia, dominam as restingas herbáceas, com vegetação baixa que estabiliza as dunas móveis. Em cordões mais antigos e estáveis, surgem moitas e arbustos que formam a restinga arbustiva. Já nos terrenos mais consolidados, desenvolve-se a restinga arbórea um tipo de floresta mais densa, onde epífitas e lianas são comuns. Entretanto, todas as fisionomias de restingas apresentam no intercordões áreas rebaixadas que alagam com frequência. 

Avançando para o interior, chegam as florestas ombrófilas densas (FCE e FCEE), que se instalam sobre os residuais  tabuleiros da Formação Barreiras e nas encostas do planalto. São ecossistemas muito mais antigos, com solos argilo‑arenosos profundos ou rasos e pedregosos, dependendo da posição na paisagem. Nessas áreas, predominam árvores de grande porte, adaptadas a ventos fortes, salinidade e insolação quando próximas ao mar. Representam o extremo continental do gradiente, ocupando terras acima de +10 metros do nível do mar.

Entre a zona costeira e o planalto, os costões rochosos (CR) formam transições abruptas. São áreas onde o embasamento cristalino aflora, criando paredes e plataformas expostas à força das ondas. A vegetação é baixa, formada por arbustos resistentes e plantas que conseguem crescer em fendas estreitas, sob ventos intensos e salinidade elevada.

Essa combinação de praias, manguezais, restingas, florestas e costões expressa a história geológica e ecológica da costa após o Terciário. Ela resulta da oscilação do nível do mar, do transporte de sedimentos, da ação do vento e da capacidade das plantas de colonizar novos ambientes ao longo do tempo. Hoje, esses ecossistemas funcionam como peças complementares de um sistema altamente sensível: qualquer alteração no uso do solo — como supressão de restingas ou intervenções em estuários — repercute rapidamente em processos de erosão, assoreamento e perda de habitats.

Compreender essas unidades e sua posição na paisagem é essencial para orientar políticas de manejo, conservação e planejamento urbano em Serra Grande, garantindo que o desenvolvimento da região se dê em harmonia com a diversidade ecológica que caracteriza sua costa.