Antropização: infraestrutura e construções
Para isso, foram consideradas áreas de influência ao redor dessas feições, denominadas buffers. Foram adotados buffers de 5 metros para estradas secundárias e arruamentos, 20 metros para vias primárias e 30 metros para edificações, desconsiderando áreas abertas como solo exposto, pasto, pasto sujo e capoeiras.
Ao considerar o efeito ecológico de borda, que são as alterações físicas (microclima, vento, luz) e biológicas (espécies, interações) que ocorrem nas margens de fragmentos florestais, causadas pela fragmentação de habitats, conclui-se o impacto significativo pela intervenção humana. A revisão bibliográfica reforça que esses impactos são ainda maiores do que os observados nos buffers aplicados em nossa cartografia.
Pequenas estradas rurais podem gerar alterações ecológicas que se estendem por 30 a 50 metros para o interior dos fragmentos vegetais (UFU, 2021), enquanto rodovias pavimentadas provocam perturbações que alcançam entre 50 e 100 metros devido às mudanças no microclima, entrada lateral de luz e interrupção dos fluxos ecológicos (SOUZA; REIS; PELISSARI, 2019).
Edificações isoladas também criam clareiras com efeitos microclimáticos e estruturais que atingem de 30 a 40 metros, demonstrando que até pequenas moradias ou ramais estreitos podem desencadear impactos equivalentes aos gerados por estradas (RODRIGUES, 1998).
Assim, cada nova casa, trilha ou via aberta afeta não apenas seu entorno imediato, mas pode provocar impactos que variam de 40 a mais de 100 metros para dentro da vegetação, dependendo da intensidade de uso (UFU, 2021).
A abertura de novos acessos e a implantação de edificações recentes fragmentam ainda mais a vegetação, gerando microfragmentos. Essas bordas aumentam a incidência solar, reduzem a umidade e alteram a composição florística, favorecendo espécies oportunistas e até exóticas, que comprometem a regeneração natural. Tais efeitos tornam-se mais intensos em fragmentos atravessados por múltiplos ramais ou estradas (SOUZA; REIS; PELISSARI, 2019).
Em fragmentos pequenos e recortados, os efeitos de borda se sobrepõem, eliminando praticamente toda a área de interior florestal funcional.A fauna de maior área de vida, como aves de grande porte e mamíferos, perde conectividade e habitat, enquanto aumenta o risco de invasões biológicas, erosão e incêndios (UFU, 2021).
No âmbito social, o adensamento próximo às vias e equipamentos públicos estimula valorização fundiária, especulação e expansão informal, acelerando a transição de uma paisagem rural tradicional para um ambiente periurbano desordenado. A soma entre adensamento, abertura de acessos e efeitos de borda caracteriza um processo evidente de degradação ecológica, resultando em fragmentação acelerada, perda de biodiversidade e transformação estrutural do uso e ocupação do solo.



