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Cartografias analíticas

Os mapas analíticos são mapas que fazem leituras de aspectos positivos e negativos do território, tem sempre um tema principal que dá nome ao mapa e sobre o qual se faz uma avaliação gráfica e textual do território, da paisagem, da cidade e das áreas rurais.

Os mapas estão organizados em temas sobre o meio ambiente, a geografia e a legislação federal, estadual e municipal que incidem sobre o distrito de Serra Grande. Cada mapa tem um tema, um desenho, uma legenda e selecionamos aqueles assuntos mais importantes para um conhecimento aprofundado sobre o estado ecológico do distrito e as formas de ocupação humana.


O Mapa Base de Serra Grande é a representação cartográfica fundamental do território, reunindo em uma única visão os principais elementos naturais e urbanos que estruturam a paisagem local. Ele funciona como ponto de partida para compreender a organização espacial do distrito e como referência para qualquer sobreposição futura de informações, sejam elas diagnósticos ambientais, apontamentos comunitários, indicações de problemas, propostas ou potenciais do território.


Serra Grande viveu uma particularidade importante ao realizar entre 2010 e 2011 um Plano Diretor Distrital cujas diretrizes vieram da APA Itacaré Serra Grande, quando Uruçuca ainda não tinha 20.000 hab. Mesmo com certa fragilidade legal, o Plano Distrital foi formalizado como lei Municipal, fortalecendo um histórico de planejamento de paisagem costeira e do bioma Mata Atlântica que detalhamos a seguir.


O território de Serra Grande encontra-se submetido às diretrizes do Plano de Manejo da APA Costa de Itacaré–Serra Grande e ao Zoneamento Ecológico‑Econômico estabelecido pela Resolução CEPRAM nº 3.503/2005. As informações apresentadas nos mapas a seguir, têm como base o mapa do Zoneamento publicado em 2012 pelo Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA), que espacializa o zoneamento de 2005.


O uso e ocupação do solo nas Áreas de Preservação Permanente (APPs) de Serra Grande mostram que a maior parte dessas áreas ainda mantém Formação Florestal (FFO) e em processo de regeneração. A FFO é a classe dominante, ocupando 386,35 ha (41,85%), o que indica a presença de uma matriz florestal permeável. Em seguida, aparecem as Áreas Úmidas – Brejo (AUM), com 153,86 ha (16,66%), fundamentais para o equilíbrio hídrico e a biodiversidade de ambientes alagados.


A paisagem costeira de Serra Grande é resultado de uma longa interação entre o mar, o vento, a geologia e os processos ecológicos que moldam essa faixa do litoral sul da Bahia. Cada ecossistema ocupa um lugar específico nesse mosaico, formando uma transição que vai das praias mais jovens até as florestas sobre o substrato mais antigo do planalto pré‑litorâneo.


A classificação do uso e ocupação do solo em Serra Grande permite compreender como diferentes ambientes naturais e áreas antrópicas se distribuem pelo território, revelando tanto a diversidade ecológica local quanto a intensidade das intervenções humanas. Cada classe representa uma combinação de características físicas, ecológicas e de manejo que ajudam a interpretar a paisagem e orientar ações de planejamento.


O Mapa de Antropização é uma representação espacial do grau de intervenção humana na paisagem, evidenciando os impactos das infraestruturas de mobilidade e das edificações sobre o ambiente natural. Para isso, foram consideradas áreas de influência ao redor dessas feições, denominadas buffers. Foram adotados buffers de 5 metros para estradas secundárias e arruamentos, 20 metros para vias primárias e 30 metros para edificações, desconsiderando áreas abertas como solo exposto, pasto, pasto sujo e capoeiras.


Uma das questões importantes para leitura do distrito de Serra Grande é o aumento expressivo das construções nos últimos 15 anos, acompanhando o aumento populacional de todas as faixas de renda com as constantes migrações para este lugar protegido e muito bonito. Assim, o mapa de Histórico de Ocupação nos mostra com clareza as edificações registradas em 2011(roxo escuro) e em 2025 (roxo claro).


O mapa de Hierarquia Viária é um mapa que ajuda a compreender a estrutura dos caminhos de uma ocupação humana, é uma base importante do tecido das cidades sobre o território. Diz-se que as ruas e caminhos são a estrutura mais forte de uma cidade, de um território, que é a parte da ocupação humana que menos se altera com o tempo.


Este Mapa de análise da legislação para as áreas de proteção tem o objetivo de mostrar as diferentes porções do território que são protegidas por Lei, as convergências entre Legislações Federais, como o Código Florestal e Lei da Mata Atlântica; Estadual, como o Plano de Manejo da APA Itacaré – Serra Grande e Municipal, como o Plano de Desenvolvimento Urbano e Territorial de Serra Grande (PDUT) de 2011,  e as divergências entre as propostas da revisão do Plano Diretor de 2025.


Este mapa faz uma avaliação das diferentes marcações em 2011 e na proposta de 2025 de um tipo específico de zona que são as Zeis, Zonas Especiais de Interesse Social. O zoneamento é um instrumento importante na regulação de uma cidade, um território. Ele define porções do território com diferentes usos e ocupações, ele estabelece continuidades, direitos universais, estabelece as separações entre as diversas atividades urbanas garantindo o bom usos da terra urbana e rural, preservando o meio ambiente e regulando o mercado de terras e de construção.